Trecho do livro

" (...) Quando eu fumava, achava impossível
parar. Não concebia a minha vida
sem um cigarrinho. Só descobri
que isso era um mito, uma mentira, depois que parei. É preciso uma
boa dose de vontade para ficar
uma hora, meio dia, meio mês,
meio ano, até completar o ciclo
de dizer não ao cigarro."


Depoimento de Luiz Thunderbird
Músico e maratonista, 44 anos


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Apague o Cigarro de Sua Vida - O Livro

O livro Apague o Cigarro de Sua Vida nasceu da vontade de ajudar os fumantes a deixar de fumar sem sofrimento.
Em nosso dia-a-dia inúmeras vezes nos deparamos com fumantes descrevendo as angústias no processo de parar
de fumar e suas frustrantes recaídas, muitas vezes devido a deslizes que poderiam ser evitados com medidas simples.

Ao longo destes anos tratando de tabagistas, alguns que nos procuraram devido a uma doença já diagnosticada, imaginamos que escrever um livro seria uma forma eficaz e muito prática de ajudar muitas pessoas a distância.
A publicação deste livro foi a realização de um grande sonho e agradecemos a Editora Alaúde por nos ajudar
nesta conquista!

A você leitor, que busca auxílio para parar de fumar, parabéns pela sua decisão! O processo de parar de fumar está 50% baseado no estado motivacional do fumante, o restante é informação, que este livro pode ajudar, e alguns fumantes vão necessitar de auxílio de medicamentos, mas esta é uma minoria. E desejamos que este livro te ilumine e motive nesta caminhada! Estamos convictos que parar de fumar é o melhor presente que você pode se dar.

Os autores



Trechos do Livro


Depoimento de Luiz Thunderbird | músico e maratonista, 44 anos

Fumei dos 15 aos 38 anos entre um maço e um maço e meio de cigarros por dia. Em 1997, quando estava usando outras drogas pesadas, fiz um tratamento para parar com todas elas, incluindo a bebida. Só sobrou o cigarro. Um ano depois, decidi parar de fumar. Pensei: "se não vou morrer de overdose, faz sentido morrer por causa de um câncer?" Na primeira entativa, fiquei 14 horas sem fumar. Voltei logo para o cigarro.

Finalmente, em 27 de outubro de 1998, uma data que jamais esquecerei, fui convidado por um amigo para correr no Parque do Ibirapuera. Correr, eu? Correr pra onde? Mas fui. Na pista de cooper, tive um pequeno "piripaque" que foi vexaminoso para mim. Lembro até hoje da curva onde tudo aconteceu. Eu estava com dois maços de cigarro no bolso. Joguei no lixo. Eu já tinha parado com coisa muito mais pesada, mas com o cigarro foi muito difícil. Os primeiros dias e meses são terríveis, mas o fardo vai pesando menos à medida que o tempo passa. O primeiro ano pós-fumo é complicado, depois vai ficando mais fácil.

Comigo, funcionou a idéia de que a única coisa que poderia me segurar contra a vontade de fumar seria praticar um esporte. Então, quando eu tinha um impulso em direção ao cigarro, ia correr. Corria pouquinho no começo, mas me sentia bem. O que me ajudou bastante também foi o auxílio de um personal trainer que me deu a maior força na ginástica e no preparo para as corridas. Fiquei mais estimulado e já corro maratonas, incluindo a São Silvestre. Uma dica é lembrar-se de consultar com um médico para avaliar seu estado geral de saúde antes de iniciar uma atividade física.

Quando eu fumava, achava impossível parar. Não concebia a minha vida sem um cigarrinho. Só descobri que isso era um mito, uma mentira, depois que parei. É preciso uma boa dose de vontade para ficar uma hora, meio dia, meio mês, meio ano, até completar o ciclo de dizer não ao cigarro.



Depoimento de Ziraldo | escritor e cartunista, 73 anos

Fumei dos 17 aos 57 anos quatro maços de cigarro por dia. Tentei largar mais ou menos 20 vezes, era um sofrimento. Tudo fedia, o estúdio, o carro, a roupa. Tantas vezes tirei o carro da garagem tarde da noite para procurar um bar aberto
que vendesse cigarros. E o pior é que ao longo desse processo, descobri que quanto mais gente estiver no nosso pé, em campanha contra o hábito de fumar, é pior, torna o fumante até mais resistente. Eu cheguei ao limite de ter quatro cigarros
acesos simultaneamente. Criei até mesmo um sistema de armazenamento de fósforos com uma superfície externa que permitia que eu acendesse nela os cigarros.

Achei que nunca pararia, até que fui convidado pelo Ministério da Saúde para fazer as ilustrações de uma campanha antitabaco. Aí eu pensei: ou eu faço a campanha e paro de fumar, ou não faço e continuo. A mensagem da campanha
era direta, falava que fumar é brega, deselegante e que fede. A campanha saiu, fez sucesso, mas eu só parei mesmo numa madrugada em que estava desenhando, com o cigarro queimando ao lado da prancheta e outros cinco espalhados
pelo estúdio. Nesse momento o pincel tocou a cinza de um cigarro, que grudou nas cerdas, sujou tudo e estragou o desenho. Nessa hora eu dei um basta. Joguei fora todos os maços que guardava e toda a parafernália que usava para acender os cigarros e decidi que nunca mais colocaria um cigarro na boca. E cumpri a promessa.

Depois que parei de fumar, passei a dormir melhor, a acordar menos cansado e a ter menos ressaca de manhã. Como efeito colateral, engordei, mas logo voltei ao meu peso normal com uma dieta. Percebi que a minha grande ressaca não era do uísque porque nunca mais sofri desse mal. Também percebi que as pessoas têm cheiro de corpo e mau hálito. Até então eu não havia percebido que as pessoas exalam seus maus odores. Então, se você quer se livrar do vício de fumar, tome ódio e antipatia do cigarro, perceba o fedor que existe ao seu redor e se dê conta de que fumar é uma idiotice.



Capítulo 3 | Por que eu comecei a fumar?

O que nos leva a começar a fumar e depois continuar fumando? Hoje já se sabe que muitos são os fatores que fazem com que as pessoas comecem a fumar. A maioria dos fumantes inicia o hábito tabagístico entre os 15 e 17 anos, sendo que nos dias atuais essa idade tem se aproximado mais dos 13 anos; dificilmente, um indivíduo começará a fumar após os 20 anos.

Crianças que crescem sob a cartilha dos anúncios do tabaco têm dificuldade em aceitar os argumentos dos pais e
educadores de que o uso do tabaco é prejudicial à saúde. Por exemplo, a associação de uma marca de cigarro ao seu
esporte favorito leva a criança e o adolescente a terem uma menor resistência com relação àquela marca. Dessa forma,
o indivíduo cria valores positivos e os relaciona à marca patrocinadora do evento esportivo. A adesão ao vício é, conseqüentemente, facilitada.

Adolescentes podem buscar no cigarro uma forma de auxílio para momentos de dificuldade e conflitos de relacionamento.
Vamos imaginar um exemplo prático: Carlos tem 15 anos e, como quase todo adolescente, tem encontrado certa dificuldade em conciliar as cobranças dos pais com os desejos comuns aos jovens de sua idade (festas, namoros, "baladas" etc). É fácil compreender porque Carlos vem sofrendo muitas pressões. O corpo mudou radicalmente
e as responsabilidades na escola aumentaram. Seus amigos já estão namorando, saindo e, portanto, começaram
a se expor à vida em sociedade, fora do ambiente familiar. Além disso, Carlos tem observado que o diálogo com seu pai já não é tão bom e recentemente teve discussões um pouco mais ríspidas por causa do seu mau rendimento escolar. Ele perdeu o interesse pela escola e sentese melhor na companhia de seus colegas de "balada" do que no seio da família.

Hoje à noite Carlos saiu com dois amigos que começaram a fumar recentemente. Um deles, após um longo batepapo,
ofereceu-lhe um cigarro para que ele apenas "experimentasse". Carlos recusou inicialmente, mas seus amigos
insistiram. "Você não tem opinião própria?", perguntou Cláudio; "Tem medo de fumar porque a mamãe disse que faz
mal?", Celso riu estrondosamente. Carlos nesse exato momento sentiu medo, mas a curiosidade era muito grande.
"Será que eu devo mesmo experimentar?", perguntou-se. "Um dia todo mundo prova, só pra ver como é. E eu já não
sou mais criança, meus pais não mandam mais em mim". E Carlos experimentou.

A adolescência é a fase das dúvidas, das transformações e da necessidade de aceitar a si mesmo e ser aceito pelos outros. O adolescente pode começar a fumar para buscar apoio, por rebeldia, para superar a timidez, para mostrar independência em relação aos pais, para ser aceito em seu grupo social ou pela simples imitação do comportamento
de outra pessoa. Carlos pode ter fumado por qualquer um desses motivos, ou até mesmo pela somatória de
vários deles.

Muitas vezes, o adolescente vive em harmonia com os pais, tem um bom rendimento escolar, seus amigos não fumam, mas convive em seu próprio domicílio com um fumante. Como convencer um adolescente de que o cigarro é algo a ser evitado se uma das pessoas que ele mais admira fuma em sua frente todos os dias? Como já mencionamos, muitos jovens imitam um modelo ao começar a fumar. Esse modelo pode ser um amigo, o primo predileto, um artista com perfil rebelde ou até mesmo o pai ou a mãe.

Fumar é uma forma de buscar auto-afirmação, essencial para a vida em sociedade. Pode ser também um refúgio,
uma fuga dos problemas existenciais. É por esse motivo que o vício inicia-se antes dos 20 anos de idade na quase
totalidade dos fumantes.

Outro fator que leva os adolescentes a fumar é a forte influência das campanhas publicitárias que sugerem que o
cigarro pode ser a solução para todos os problemas. Além disso, associam ao fumante a imagem de um indivíduo seguro, de boa aparência, independente, bem-sucedido, esportivo e com controle de suas emoções. O cigarro é apresentado à criança e ao adolescente como uma forma de ingressar no mundo adulto. É vinculado de forma integrada
aos conceitos de beleza, juventude, vigor físico, coragem, sucesso e, enfim, felicidade.(...)